O Bloco Mulheres Rodadas voltou às ruas da zona sul do Rio de Janeiro para discutir, de forma artística e simbólica, a violência contra a mulher. Durante o desfile, realizado na última quarta-feira (18), a pernalta e acrobata Luciana Peres, de 46 anos, chamou a atenção com uma fantasia que fazia referência às tentativas de assassinato sofridas por Maria da Penha Fernandes, em 1983. Este episódio, ocorrido há mais de 40 anos, deu origem à Lei Maria da Penha, promulgada em 2006, que tipifica a violência doméstica no Brasil.
A Importância das Políticas Públicas
Luciana Peres destacou a necessidade de políticas públicas efetivas para combater o feminicídio e a violência doméstica. Segundo dados do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, o Brasil registrou 1.518 vítimas de feminicídio no ano passado. Para a artista, sem ações concretas, vidas continuarão sendo perdidas. O Bloco Mulheres Rodadas, desde 2015, tem usado suas performances para chamar atenção para estas questões urgentes.
Solidariedade e União entre Mulheres
Durante o desfile, diversas performances simbolizaram a solidariedade entre as mulheres. Uma das cenas mais marcantes foi a de uma mulher puxando outra do chão, representando a força e a união feminina. A regente Simone Ferreira explicou que a escolha das músicas tocadas pelo bloco é feita com cuidado, priorizando compositoras e intérpretes mulheres que exaltam a condição feminina.
Participação Internacional e Reflexões Globais
O bloco também atraiu atenção internacional, com a participação da pernalta francesa Lucie Cayrol. Ela homenageou Gisèle Halimi, uma advogada franco-tunisiana que teve papel fundamental na despenalização do aborto na França em 1975. Apesar dos avanços, Cayrol destacou que a violência doméstica ainda é uma realidade preocupante em muitos países.
Desafios e Compromissos Futuros
Renata Rodrigues, coordenadora do Bloco Mulheres Rodadas, reforçou que o tema da violência contra a mulher continua atual e urgente. Ela destacou a importância de um compromisso conjunto, tanto do poder público quanto da sociedade civil, para que a mensagem de igualdade e respeito chegue a todos. O folião Raul Santiago enfatizou a necessidade de os homens se comprometerem com a mudança, adotando atitudes antimachistas e promovendo a igualdade de gênero.


