Luiz Bangbala, reconhecido como o ogan mais antigo do Brasil, faleceu aos 106 anos na noite do último domingo (15) no Rio de Janeiro. Seu sepultamento está marcado para a tarde desta terça-feira (17) no Cemitério Jardim Mesquita, localizado na Baixada Fluminense.
Contribuições para o Candomblé
Com mais de oito décadas dedicadas ao candomblé, Bangbala desempenhou um papel crucial como ogan, a pessoa responsável por tocar os atabaques e comandar o ritmo das cerimônias de recepção dos orixás. Nascido Luiz Ângelo da Silva em Salvador, ele foi iniciado ainda jovem na religião e mais tarde se mudou para Belford Roxo, onde passou o restante de sua vida.
Legado e Reconhecimento
Além de sua atuação como ogan, Bangbala foi um dos fundadores do afoxé Filhos de Gandhy no Rio de Janeiro. Gravou dezenas de álbuns de cânticos de candomblé em língua iorubá e em 2014 foi agraciado com a Ordem do Mérito Cultural, um reconhecimento concedido pela Presidência da República.
Homenagens e Memória
Em 2020, a escola de samba Unidos do Cabuçu homenageou Bangbala, e ele foi tema de uma exposição organizada pelo Centro Cultural Correios em 2024. Sua esposa, Maria Moreira, anunciou seu falecimento nas redes sociais, destacando o impacto de sua perda para o candomblé.
Impacto na Comunidade Afro-Brasileira
O babalorixá Ivanir dos Santos destacou Bangbala como um 'grande griot', alguém que preserva as tradições africanas. Santos ressaltou que, mesmo após sua partida, Bangbala continua presente nas práticas diárias e nas ações dentro das casas de candomblé, blocos afros e na rica cultura afro-brasileira.


