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Quilombolas de Paracatu buscam indenização após 20 anos de perdas causadas por mineradora

Quilombolas de Paracatu buscam indenização após 20 anos de perdas causadas por mineradora. Processo pode beneficiar 1,3 mil famílias afetadas.

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Moradores das comunidades quilombolas de Machadinho, Amaros e São Domingos, em Paracatu (MG), seguem em busca de reparação por danos causados pela instalação da mineradora Kinross Gold Corporation. A empresa canadense ocupa a região desde o início dos anos 2000, quando construiu uma barragem de rejeitos e iniciou a exploração de ouro e prata na área conhecida como Morro do Ouro.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), cerca de 1,3 mil famílias foram impactadas, perdendo terras, modos de vida e sofrendo consequências ambientais e de saúde, como a presença de arsênio em amostras de urina dos moradores. O procurador regional da República, José Adércio Leite Sampaio, esteve recentemente em Paracatu para mediar negociações entre as comunidades e a mineradora, buscando um acordo que envolva indenizações, reassentamentos e reconhecimento oficial dos territórios quilombolas.

O valor das indenizações pode chegar a R$ 1,2 bilhão. O MPF destaca que a empresa teve lucro líquido global de US$ 2,39 bilhões em 2025, sendo quase 30% provenientes da unidade mineira. As barragens da Kinross em Paracatu acumulam mais de 1,2 bilhão de metros cúbicos de rejeitos, volume muito superior ao da barragem de Brumadinho, que se rompeu em 2019.

As comunidades de Machadinho e Amaros foram certificadas pela Fundação Cultural Palmares em 2004, mas os processos de regularização fundiária pelo Incra foram interrompidos após a ocupação das terras pela mineradora e por grileiros. Atualmente, muitas famílias vivem em situação de vulnerabilidade, espalhadas por diferentes regiões de Paracatu e cidades vizinhas.

Lideranças locais relatam que, além das perdas materiais, as comunidades enfrentam impactos culturais e sociais, como a dificuldade de manter tradições e modos de vida. Apesar disso, manifestações culturais como a caretagem seguem vivas entre os descendentes, fortalecendo a identidade quilombola.

O processo judicial sobre a regularização e indenização das comunidades segue em andamento. A Kinross afirma acompanhar o caso e manter diálogo com as autoridades e representantes locais, mas não comenta o mérito da ação. O Incra informa que os processos administrativos de regularização ainda estão em tramitação e reafirma o compromisso com o direito à terra das comunidades quilombolas.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br