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Festival de Cinema de Brasília enfrenta incertezas, mas governo confirma realização

Festival de Brasília do Cinema Brasileiro passa por incertezas, mas governo do DF confirma realização da 59ª edição em setembro.

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O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o mais tradicional do país, viveu momentos de indefinição nesta segunda-feira (8). Inicialmente, representantes do governo do Distrito Federal (DF) comunicaram aos organizadores que a 59ª edição, prevista para ocorrer de 11 a 19 de setembro, não seria realizada. No entanto, ainda na noite do mesmo dia, a governadora do DF, Celina Leão, anunciou nas redes sociais que determinou à Secretaria de Economia a liberação dos recursos necessários, reafirmando a realização do evento.

O festival deste ano registrou recorde de inscrições, com 1.928 filmes submetidos e mais de 80 obras já confirmadas na programação. O evento envolve centenas de profissionais do audiovisual de todas as regiões do Brasil.

O diretor artístico do festival, Eduardo Valente, manifestou preocupação com a possibilidade de cancelamento e destacou a importância da mobilização do setor para garantir a continuidade do evento. Segundo ele, a participação de associações, profissionais do cinema e do público é fundamental para o futuro do festival.

Representantes da classe artística, como Tiago de Aragão, da Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro (API), relacionaram a situação do festival à crise financeira enfrentada pelo GDF, após denúncias envolvendo o Banco de Brasília (BRB). Ele ressaltou que muitos profissionais já estavam trabalhando sem remuneração e que o cancelamento impactaria negativamente o setor.

Tatiana Costa, presidente da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), alertou que a decisão do DF pode influenciar outros festivais do país. Para ela, a não realização do festival representa uma decisão política que preocupa toda a cadeia do audiovisual nacional.

A cineasta Carina Bini destacou o papel do festival na geração de empregos e movimentação econômica na cidade, além de sua relevância histórica para o cinema brasileiro.

O Festival de Brasília, criado em 1965, é considerado patrimônio imaterial do DF desde 2007 e se consolidou como espaço de debate e valorização do cinema nacional. Apenas durante dois anos da ditadura militar o evento não foi realizado. Em 2020, devido à pandemia, a mostra aconteceu de forma virtual. Entre os diferenciais, as obras selecionadas precisam ser inéditas e os vencedores recebem o Troféu Candango.

Até o momento, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF não se pronunciou oficialmente sobre a situação.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br