O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou um estudo que analisa as consequências econômicas de uma possível redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais no Brasil. A análise sugere que os custos desta mudança seriam comparáveis aos de reajustes históricos do salário mínimo, indicando que o mercado de trabalho poderia absorver a transição sem grandes dificuldades.
Efeitos Econômicos da Redução da Jornada
A pesquisa do Ipea destaca que a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, atualmente vinculada à escala 6×1, teria um impacto inferior a 1% em grandes setores como a indústria e o comércio. No entanto, setores de serviços que demandam mais mão de obra podem necessitar de políticas públicas específicas para minimizar os efeitos.
Impactos em Diferentes Setores
Enquanto o aumento no custo do trabalhador celetista seria de 7,84%, este número representa uma pequena fração do custo total de operação de grandes empresas, onde o custo com trabalhadores chega a ser menos de 10% do custo operacional. Em contrapartida, empresas de serviços, como vigilância e limpeza, poderiam experimentar um impacto maior, de até 6,5%, necessitando de uma adaptação gradual à nova jornada.
Desigualdades e Condições de Trabalho
O estudo também aponta que uma jornada de 44 horas é mais comum entre trabalhadores de menor renda e escolaridade. A redução para 40 horas poderia ajudar a diminuir desigualdades, igualando o tempo de trabalho e aumentando o valor da hora trabalhada para esses trabalhadores.
Desafios para Pequenas Empresas
Um dos desafios identificados é para as pequenas empresas, que têm maior proporção de trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas. Nas empresas com até quatro empregados, 87,7% dos trabalhadores têm jornadas mais longas, o que sugere a necessidade de estratégias específicas para apoiar essas empresas na transição.


