A diáspora africana deixou marcas profundas tanto no Brasil quanto em Cuba. Ambos os países receberam um grande número de africanos escravizados até o final do século XIX, que trabalharam em diversas lavouras, como as de cana-de-açúcar e café. Essa movimentação forçada de pessoas gerou um legado cultural rico, presente na culinária, música e religião de ambos os locais.
O Enredo da Paraíso de Tuiuti
O Grêmio Recreativo Escola de Samba Paraíso de Tuiuti escolheu explorar essas semelhanças em seu enredo 'Lonã Ifá Lukumi'. A proposta é evidenciar as conexões culturais e religiosas entre Cuba e Brasil, destacando a influência do Ifá, uma forma de religiosidade que une espiritualidade e elementos racionais.
A Participação de Luiz Antonio Simas
Luiz Antonio Simas, historiador e compositor, é um dos responsáveis pela criação do samba-enredo da Tuiuti. Ele se interessou pelo tema devido à sua afinidade com a religiosidade afro-caribenha e suas inter-relações com o Brasil. A letra será interpretada por Pixulé, nome artístico de Roosevelt Martins Gomes da Cunha.
Do Livro à Avenida
O enredo foi inspirado pelo livro 'Ifá Lucumí: o resgate da tradição', de Nei Lopes. O desfile apresentará a chegada do Ifá à Terra, sua disseminação entre os iorubás e outros povos, e a resistência ao trabalho escravo em Cuba, incluindo a revolta de Matanzas, liderada por Carlota Lacumí.
Últimos Setores do Desfile
O desfile abordará também a chegada do Ifá Lucumí ao Brasil nos anos 1990, com a vinda do babalaô cubano Rafael Zamora Díaz ao Rio de Janeiro. A presença e o assassinato de Díaz são partes cruciais dessa narrativa cultural e religiosa.


