O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) encerrou nesta quarta-feira (10), em Belém, a última etapa de sua missão institucional voltada ao enfrentamento do discurso de ódio e do neonazismo no Brasil.
Segundo levantamento do CNDH, entre 2019 e 2021, houve um aumento de 270% no número de células neonazistas ativas no país. Para monitorar e combater esse cenário, foi criado o Observatório Nacional de Enfrentamento ao Discurso de Ódio e ao Neonazismo, que atua no mapeamento dessas células, acompanha a disseminação de discursos de ódio, especialmente na internet, e articula estratégias para subsidiar políticas públicas e de segurança.
Durante três dias, o observatório promoveu atividades em Belém, com foco no monitoramento regional e no diálogo com instituições locais, buscando fortalecer a rede de proteção e construir diagnósticos sobre o extremismo na Região Norte.
Carlos Nicodemus, conselheiro do CNDH e coordenador da relatoria especial de enfrentamento ao discurso de ódio, destacou a importância de enfrentar o neonazismo, que representa ataques a grupos vulneráveis e ameaça a democracia. Ele ressaltou que o observatório acompanha manifestações extremistas em todas as regiões do país e que o fenômeno também foi identificado em pesquisas acadêmicas recentes.
Antes de chegar ao Pará, a missão passou por cidades como Florianópolis, Blumenau, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Niterói, Recife, Caruaru e Goiânia. O CNDH afirma que a criação do observatório responde ao avanço de condutas que ameaçam a convivência democrática, os direitos humanos e a segurança pública.
O observatório deve lançar ainda este ano um relatório com diagnóstico e sugestões para políticas públicas. A previsão é que, até dezembro de 2026, seja apresentado um relatório final com propostas para uma política nacional de enfrentamento ao discurso de ódio e ao neonazismo.
Nicodemus também destacou a necessidade de desenvolver políticas focadas em educação e cultura para frear o avanço do discurso de ódio, especialmente no ambiente digital. Segundo ele, a internet tem papel central na disseminação dessas mensagens e precisa de regulamentação adequada para garantir a liberdade de expressão sem permitir ataques a grupos vulneráveis.
O conselheiro defendeu a articulação entre poder público e sociedade civil para a construção de políticas de Estado que garantam o enfrentamento permanente ao extremismo e ao discurso de ódio em todo o território nacional.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br







