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Equador intensifica presença militar e concede imunidade a estrangeiros em meio a crise de segurança

O governo do Equador ampliou recentemente a presença militar nas ruas e firmou novos acordos de cooperação com os Estados Unidos, em resposta ao aumento da violência e à crise de segurança pública no país. A medida ocorre durante um novo estado de exceção, que suspende garantias constitucionais e permite o uso das Forças Armadas em operações de segurança.

Além disso, o presidente Daniel Noboa assinou decretos que concedem imunidade penal a militares, civis e estrangeiros envolvidos em ações de repressão estatal, inclusive em operações conjuntas com outros países. O acordo mais recente, firmado com os EUA, prevê troca de informações e atuação coordenada nas fronteiras, especialmente na região norte, próxima à Colômbia.

Essas ações têm gerado críticas de organizações sociais, especialistas e lideranças políticas, que denunciam perseguição a opositores e retrocessos democráticos. O principal partido de oposição, Revolução Cidadã, está com registro suspenso e não poderá participar das eleições municipais de novembro de 2026. Prefeitos de cidades importantes, como Guayaquil, também foram presos sob acusações que, segundo a defesa, têm motivação política.

O Equador enfrenta um aumento expressivo da violência, com recorde de homicídios em 2025 e crescimento de organizações criminosas. Segundo dados oficiais, o número de homicídios dolosos subiu mais de 900% nos últimos sete anos, colocando o país entre os mais violentos do mundo.

Entidades internacionais, como o Comitê da ONU para Pessoas Desaparecidas, manifestaram preocupação com relatos de desaparecimentos forçados, principalmente entre populações afro-equatorianas. A ONU recomendou ao governo equatoriano que priorize forças de segurança civis e evite abusos por parte de agentes do Estado.

O governo argumenta que as medidas são necessárias para combater a criminalidade organizada, que teria se aproveitado das limitações legais para expandir suas atividades. No entanto, especialistas apontam que a militarização não trouxe redução efetiva da violência e pode estar sendo usada para restringir a atuação de opositores e movimentos sociais.

Casos de repressão incluem congelamento de contas bancárias de líderes indígenas e sindicais, além de denúncias de atrasos e dificuldades em processos legais para revogação do mandato presidencial. O assassinato da ativista anticorrupção Monika Silva Koniuszek, inicialmente tratado como suicídio, foi posteriormente confirmado como homicídio, aumentando a preocupação sobre a segurança de críticos ao governo.

O Equador também firmou acordos de segurança com Israel e adotou medidas inspiradas no modelo de El Salvador, como a classificação de grupos criminosos como terroristas e a construção de uma prisão de segurança máxima. Apesar disso, a violência continua em alta e o cenário político segue marcado por denúncias de autoritarismo e violações de direitos humanos.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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