Em uma varanda cercada por folhagens tropicais, o empresário suíço Anton Von Salis, então presidente da Swisscam, justificava em 1970 os salários mais baixos pagos no Brasil em comparação à Europa. Segundo ele, as necessidades no Brasil eram diferentes devido ao clima e ao estilo de vida.
Apoio ao Regime Ditatorial
Para Von Salis, a ditadura militar brasileira trouxe estabilidade para o capital suíço, oferecendo mão de obra barata e um ambiente favorável para negócios. Esse cenário foi amplamente explorado pelas multinacionais suíças que se beneficiaram da repressão a sindicatos e greves.
Impactos Econômicos
Conforme pesquisa de Gabriella Lima, os salários pagos pelas principais multinacionais suíças no Brasil em 1971 eram significativamente menores do que na Suíça. Trabalhadores sem qualificação recebiam apenas um quinto do que um operário suíço ganhava, enquanto os profissionais qualificados recebiam pouco mais da metade.
Lucros e Benefícios
Gabriella estimou que as grandes multinacionais suíças faturaram cerca de 80 milhões de francos em 1971 devido aos baixos salários no Brasil. Além disso, as empresas suíças tinham isenção de impostos por dez anos e não pagavam taxas sobre a remessa de lucros, aproveitando-se amplamente do contexto político.
Investimentos Suíços no Brasil
Entre 1964 e 1970, a Suíça foi um dos principais investidores no Brasil, superando outros países em termos de investimento per capita. Em 1973, o Investimento Estrangeiro Direto suíço alcançou 1,1 bilhão de francos, e em 1977 chegou a 2,3 bilhões, com empresas atuando em alimentação, metalurgia, petroquímica e finanças.


