O Ministério da Saúde anunciou a ampliação do serviço de teleatendimento para pessoas com dependência em jogos de apostas, em resposta ao crescimento da demanda. O atendimento, iniciado em março deste ano em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, já conta com quase 7 mil usuários cadastrados.
A ampliação será realizada por meio da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS), responsável pela contratação de empresas especializadas para reforçar o suporte gratuito a jogadores compulsivos. O investimento previsto para este ano é de aproximadamente R$ 70 milhões.
A iniciativa faz parte de um plano mais amplo do Ministério da Saúde para fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial (Raps), incluindo ações de prevenção, qualificação profissional e ampliação do acesso à assistência. Além disso, serão destinados R$ 6 milhões para uma pesquisa nacional inédita, que buscará identificar os principais riscos e grupos mais afetados pelos jogos de apostas no Brasil.
Os recursos para essas ações vêm, em parte, da destinação social das apostas, que em 2025 repassou R$ 45,7 milhões ao Ministério da Saúde. Esse valor corresponde a 1% da arrecadação de tributos pagos por empresas e apostadores, conforme determina a Lei nº 14.790/2023.
Para acessar o teleatendimento, o interessado deve se cadastrar no aplicativo Meu SUS Digital, disponível para Android, iOS e na web. O app oferece informações sobre sinais de alerta, prevenção e impactos dos jogos, além de um autoteste validado por especialistas. Usuários com risco moderado ou elevado são encaminhados automaticamente para o atendimento remoto.
Casos de menor risco recebem orientação para buscar apoio em Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou Unidades Básicas de Saúde (UBS). A Ouvidoria do SUS também está preparada para orientar sobre o tema, com atendimento pelo telefone 136, WhatsApp, chatbot ou formulário online, seguindo as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), problemas com jogos de apostas estão associados a transtornos como ansiedade, depressão e risco aumentado de suicídio. Entre janeiro de 2018 e maio de 2025, o número de atendimentos no SUS por jogo patológico cresceu 104%, com maior incidência entre homens de 20 a 49 anos, embora o aumento entre jovens também preocupe especialistas.
O governo federal tem adotado outras medidas, como a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que já foi utilizada por mais de meio milhão de pessoas para bloquear o acesso a sites de apostas. Em janeiro, foi lançado o Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, disponível no site do Ministério da Saúde.
Na última sexta-feira (19), um novo decreto presidencial reforçou o combate ao mercado ilegal de apostas, permitindo que recursos confiscados sejam usados no enfrentamento ao crime organizado.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br









