O Brasil atingiu um marco histórico ao encerrar a Paralimpíada de Paris 2024 entre as cinco maiores potências do esporte adaptado. Essa trajetória de sucesso começou há meio século, quando Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa conquistaram a primeira medalha paralímpica do país: a prata no lawn bowls, esporte similar à bocha, atualmente extinto do programa dos Jogos.
As medalhas originais foram expostas no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, nesta quinta-feira (6), em uma homenagem simbólica. A data marca os 50 anos do feito, ocorrido em 6 de agosto de 1976, durante os Jogos de Toronto, no Canadá. Segundo Noêmia Almeida, sobrinha de Robson, a conquista representa o início de uma história de superação e desenvolvimento do paradesporto brasileiro.
Robson, que fundou o Clube do Otimismo no Rio de Janeiro em 1958, foi um dos pioneiros na luta por inclusão e oportunidades para pessoas com deficiência. A entidade, criada após um acidente que o deixou paraplégico, ofereceu suporte a pessoas com deficiência sem acesso à reabilitação. Luiz Carlos, parceiro de Robson na conquista da medalha, também foi beneficiado pelo clube e se tornou um grande colaborador na formação de equipes e no apoio técnico.
Na época, o esporte paralímpico não contava com políticas públicas de incentivo, e Robson buscava apoio em órgãos governamentais para viabilizar a participação brasileira em competições internacionais. A dupla participou dos Jogos de Toronto no basquete em cadeira de rodas, mas também foi convidada para competir no lawn bowls, garantindo o segundo lugar no pódio.
O cenário do esporte paralímpico brasileiro mudou a partir da criação do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) em 1995 e da inclusão do paradesporto em leis de incentivo, como a Lei Pelé e a Lei Agnelo Piva, que destina parte dos recursos das loterias federais para o setor. Em 2016, a inauguração do Centro de Treinamento Paralímpico consolidou o avanço, oferecendo estrutura para formação de novos atletas e inclusão de jovens com deficiência em modalidades adaptadas.
Para Noêmia Almeida, o legado de Robson vai além das conquistas esportivas, destacando sua luta por inclusão no mercado de trabalho e pela valorização das pessoas com deficiência. O exemplo do medalhista inspira novas gerações e reforça a importância do esporte como ferramenta de transformação social.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br









