A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up, que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos de emendas parlamentares destinadas pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP) ao Instituto Conhecer Brasil (ICB). Segundo informações reunidas pela PF, um dos projetos financiados, chamado Jovem Empreendedor, com valor de R$ 1 milhão, não teve a execução comprovada conforme previsto.
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. O deputado Mario Frias teve equipamentos eletrônicos apreendidos em sua residência. Karina Gama, presidente do ICB e produtora do filme Dark Horse, também foi alvo dos mandados.
O projeto Jovem Empreendedor previa a capacitação de 250 multiplicadores e o atendimento de 2.250 estudantes em Pirassununga (SP), mas a Controladoria-Geral da União (CGU) constatou que as metas não foram atingidas. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) rejeitou a prestação de contas por não cumprimento do objeto pactuado.
Outro projeto, Lutando pela Vida, também financiado por emenda de Frias no valor de R$ 1 milhão, apresentou falhas na comprovação da realização das atividades e entrega de materiais, segundo a CGU. A investigação identificou transferências entre empresas ligadas ao ICB e à produtora do filme Dark Horse, mas ainda não concluiu se houve uso direto dos recursos das emendas na produção do filme.
A PF apurou que, em 2025, R$ 700 mil recebidos pelo ICB foram repassados a empresas do grupo de Heric Dias, empresário investigado. Posteriormente, R$ 750 mil foram transferidos à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme. A movimentação financeira segue sob análise.
O deputado Mario Frias também transferiu R$ 645,4 mil de sua conta pessoal para a produtora do filme, valor considerado incompatível com seus rendimentos declarados. Em novembro do ano passado, a Go Up movimentou cerca de R$ 19 milhões, incluindo despesas com hospedagem e alimentação durante as filmagens.
Além disso, emendas de outros parlamentares ao Instituto Academia Nacional de Cultura, presidido por Karina Gama, somando R$ 1,15 milhão, não tiveram execução financeira comprovada.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Frias afirmou que as emendas foram destinadas a projetos esportivos e de letramento digital, ressaltando que os recursos são públicos e fiscalizados. Ele criticou a operação e afirmou não ter tido acesso à investigação. O deputado também foi proibido de deixar o país e de se comunicar com outros investigados.
Até o momento, Karina Gama e Heric Dias não se pronunciaram sobre o caso.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br




