Seis anos após a morte de Kathlen Romeu, jovem grávida atingida por tiros durante operação policial no Lins de Vasconcelos, Zona Norte do Rio de Janeiro, a família segue em busca de justiça. Os pais, Jacklline de Oliveira e Luciano Gonçalves, relembram a trajetória da filha, que sonhava em ser modelo e havia acabado de conquistar o primeiro apartamento. Kathlen, de 24 anos, foi baleada quando visitava a avó, e tanto ela quanto o bebê não resistiram.
O caso, ocorrido em junho de 2021, resultou em denúncia do Ministério Público contra dois policiais militares, Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano, que serão julgados no Tribunal do Júri em 26 de novembro. Segundo a denúncia, os agentes atiraram em direção ao local onde estavam Kathlen e sua avó, alegando perseguição a suspeitos, versão não comprovada até o momento.
Jacklline, mãe da jovem, afirma que a luta por justiça vai além da família e pede o apoio da sociedade civil no julgamento. Ela destaca a importância da mobilização popular para combater a letalidade policial e defende políticas de segurança que priorizem a preservação de vidas, especialmente de jovens negros e moradores de periferia.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que, somente em 2025, a polícia do Rio de Janeiro foi responsável por 798 mortes, representando quase 20% das mortes violentas no estado. O levantamento mostra ainda que a maioria das vítimas de ações policiais são homens jovens e negros.
Apesar da denúncia e do andamento do processo, a família relata dificuldades e lentidão no acesso à justiça. Eles chegaram a acionar a corregedoria do Ministério Público após declarações de um promotor que sugeriu o arquivamento do caso. O procedimento foi arquivado por falta de provas, mas a denúncia contra os policiais foi mantida após pressão dos familiares.
O julgamento dos PMs é visto como um momento decisivo não só para a memória de Kathlen, mas também para a discussão sobre violência policial e direitos humanos no Brasil. Os pais da jovem reforçam que a busca é por justiça e para evitar que outras famílias passem pela mesma dor.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br




