Nos últimos anos, a pandemia de covid-19 impulsionou o surgimento de novos empreendimentos em favelas brasileiras. Ligia Emanuel da Silva, designer e moradora da cidade de Rio Tinto, na Paraíba, é um exemplo dessa tendência. Durante a pandemia, ela iniciou um negócio de acessórios inspirados na cultura africana, demonstrando como a crise sanitária motivou muitos a se reinventarem economicamente.
Crescimento dos Negócios em Favelas
De acordo com pesquisa realizada pelo instituto Data Favela, 56% dos negócios em favelas foram iniciados após fevereiro de 2020, coincidindo com o início da pandemia no Brasil. Esta pesquisa, encomendada pela VR, destacou que a crise econômica forçou muitos a buscarem novas formas de sustento, transformando habilidades pessoais em oportunidades de negócio.
Perfil dos Empreendedores
O levantamento entrevistou mil empreendedores de favelas em todo o Brasil. Desses, 23% faturam até um salário mínimo, enquanto 28% arrecadam entre um e dois salários mínimos. A pesquisa também revelou que a maioria dos empreendimentos requer um investimento inicial modesto, com 37% dos negócios sendo iniciados com até R$ 1.520.
Administração e Promoção
A gestão dos negócios nas favelas é majoritariamente manual, com 59% dos empreendedores utilizando cadernos para registrar suas operações. Na promoção de seus produtos, o uso das redes sociais é predominante, com o Instagram sendo a plataforma mais utilizada, seguido pelo WhatsApp e Facebook. O boca a boca também continua sendo uma estratégia eficaz para muitos.
Principais Setores de Atuação
Os empreendimentos nas favelas se concentram principalmente nos setores de alimentação e bebidas (45%), moda (12%), beleza (13%) e artesanato (8%). Este cenário indica a diversidade e riqueza cultural dessas comunidades, que encontram nas próprias tradições e habilidades uma forma de prosperar economicamente.


